http://festaspompom.blogspot.com/.
e venham de lá essas festas.
pssht..ó menina!
as aventuras de uma empregada de mesa
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
hoje.
hoje é dia 3 de outubro.
dia de voltar ao trabalho.
mas trabalhar em restauração é assim. faz-se o almoço, espera-se umas horas, faz-se o jantar. vai-se trabalhar de manhã e quando se regressa a casa já o dia é outro. trabalhar meio turno significaria receber exactamente o mesmo que tenho de pagar à ama. trabalhar 12 horas significaria não ver a maria a adormecer, a comer, a brincar, a crescer. a decisão foi fácil. porque é mais fácil procurar por um trabalho das 9 às 5. porque é mais fácil acreditar que há restaurantes perfeitos onde mesmo quem faz meio dia ainda ganha mais do que muito pouco. porque mais do que ser empregada de mesa agora sou mãe.
hoje é dia 3 de outubro.
e a maria faz 5 meses.
dia de voltar ao trabalho.
mas trabalhar em restauração é assim. faz-se o almoço, espera-se umas horas, faz-se o jantar. vai-se trabalhar de manhã e quando se regressa a casa já o dia é outro. trabalhar meio turno significaria receber exactamente o mesmo que tenho de pagar à ama. trabalhar 12 horas significaria não ver a maria a adormecer, a comer, a brincar, a crescer. a decisão foi fácil. porque é mais fácil procurar por um trabalho das 9 às 5. porque é mais fácil acreditar que há restaurantes perfeitos onde mesmo quem faz meio dia ainda ganha mais do que muito pouco. porque mais do que ser empregada de mesa agora sou mãe.
hoje é dia 3 de outubro.
e a maria faz 5 meses.
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011
empregados de mesa deste país:
o patrão precisa de empregados.
full time. alguém alinha?
full time. alguém alinha?
Sábado, 10 de Setembro de 2011
um ano sem trabalhar dá nisto.
pois que ontem fui aos pastéis de belém e fiquei assustada com o seguinte diálogo entre uma turista brasileira e um empregado:
"meu marido foi no banheiro mas para já eu quero uma água..."
"ah veja mas é tudo de uma vez que eu não vou andar para trás e para a frente."
pois é, ao que tudo indica há uma nova forma de atender a malta. e eu já só tenho um mês para aprendê-la.
"meu marido foi no banheiro mas para já eu quero uma água..."
"ah veja mas é tudo de uma vez que eu não vou andar para trás e para a frente."
pois é, ao que tudo indica há uma nova forma de atender a malta. e eu já só tenho um mês para aprendê-la.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
então e hoje o que é que vai ser?
ontem fez 4 anos que me tornei empregada de mesa.
hoje faz 4 anos que decidi que não queria fazer outra coisa.
e ainda hoje é um amor incompreendido.
hoje faz 4 anos que decidi que não queria fazer outra coisa.
e ainda hoje é um amor incompreendido.
Terça-feira, 24 de Maio de 2011
Sábado, 16 de Abril de 2011
e finalmente: os patrões.
algumas pessoas perguntam-me porque é que eu nunca escrevo sobre os meus patrões. então, mas não se está mesmo a ver? é porque eles são pessoas espectaculares, impecáveis, do melhor que há. além disso, eles sabem que eu tenho este blogue. quando eu comecei a trabalhar para eles, já há 3 anos, percebi que toda a gente lhes tinha muito respeitinho. mas assim um respeitinho um bocado aldrabado, diga-se. os meus colegas diziam-me que sempre que eu visse um deles a chegar tinha de me manter ocupada. então o esquema era este: sempre que um deles entrava no restaurante cada um dos empregados agarrava-se ao que podia. um atirava-se aos guardanapos, outro ajeitava os talheres em todas as mesas, outro metia-se a polir copos polidos. eu sentia sempre que ficava no meio da sala a olhar para o ar, até que com o tempo também me habituei a enganá-los (não é bem enganar, vá, que eu trabalhava muito sim. juro que sim. acho que até merecia um aumentozinho) bem depressa. e até quando eu estava mesmo ocupada a trabalhar os meus colegas passavam por mim e diziam baixinho: isso mesmo, ‘tás a disfarçar bem! ah, ‘tá bem. e depois havia ainda aquela coisa de ninguém os querer atender. quando eles chegavam para jantar olhávamos sempre de esguelha uns para os outros, enquanto pensávamos quem seria a vítima. a tarefa calhava sempre aos recém-chegados. na maioria das vezes faziam asneiras no pedido ou partiam copos por causa da pressão da coisa. alguns tremiam dos pés à cabeça e nem conseguiam articular duas palavritas. para quem estava de fora até tinha muita piada. a primeira vez que eu os atendi não foi diferente. não parti nada. nem pedi nada errado. mas fiz porcaria em todas as outras mesas que estava a atender. a vegetariana comeu frango, quem pediu capirosca bebeu caipirinha e por aí adiante. mas, no final das contas, acho que me saí bem. pelo menos eles não deram por nada. e com o tempo deixei de me preocupar em atendê-los com todos os cuidados do mundo. hoje em dia é a última mesa a que eu vou: clientes que pagam primeiro, patrões depois. se têm pressa levantem-se e tirem eles o cafézinho. e eles é que ganham. mas os meu patrões até são porreiros. fazem festas. pagam bejecas ao pessoal. levam-nos ao bowling uma vez por ano. e dão-nos conselhos, que na maioria das vezes não nos servem para muito no nosso dia-a-dia, mas fica a intenção. é divertido estar com eles. mas divertido, divertido, é vê-los trabalhar. e no lodo então é um festival. mas faz-lhes bem porque nos percebem melhor. lembro-me que quando o restaurante abriu comprámos uns copos de vinho altos, grandes, lindos. mas não cabiam na máquina. mas eram altos, grandes e lindos e por isso tinhamos de os usar. no final do turno tinhamos de os lavar. um a um. à mão. e todos os dias nos queixávamos. um ano depois um dos patrões foi dar uma mãozinha porque faltava um empregado. no dia seguinte mandaram-nos arrumar os copos num armário. e nunca mais os usámos. enfim. quem pode, pode. e é por isso que por muito fixes que sejam os patrões vai sempre haver empregados a falar mal deles enquanto se preparam para o trabalho e bebem mais um cafézinho. oferta do patrão.
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