sexta-feira, 11 de julho de 2008

clientes e clientes

normalmente consigo perceber que tipo de cliente tenho à frente nos primeiros 30 segundos. o cliente chato é muito fácil de identificar: é aquele que quer o bife com o molho à parte, as batatas sem sal, a cola com três pedras de gelo e uma rodela de limão sem casca. o café é cheio, em chávena escaldada e com adoçante. fácil, fácil.
o cliente "tive um dia de merda e tu é que as vais pagar", pode ser facilmente confundido com o "vim jantar fora com os amigos e tenho de lhes mostrar que sou o maior". a diferença é que o primeiro fala mal de tudo -da comida, da bebida, do serviço, sozinho. o outro faz o mesmo, mas só para os amigos verem que ele é mesmo um entendido na matéria. o meu gerente ensinou-me um truque básico para atender estes clientes sem perder o sorriso: sempre que me aproximo da mesa imagino-os em roupa interior xxl. resulta sempre.
o cliente surdo-mudo é aquele que não fala nem ouve. normalmente gosta de ser atendido pela empregada invisível. não quer saber de sugestões, porque não está disposto a ouvir e à pergunta "está a gostar?" responde com um grunhido, porque não quer falar. paga e sai. nem um adeusinho. o cliente "você não passa de uma reles empregada e está aqui é para me servir" é aquele que acha que todas as empregadas de mesa são empregadas de mesa porque não sabem fazer mais nada. e é assim que eles nos tratam. "traga-me um garfo, agora um guardanapo, vá buscar o sal, importa-se de me tirar este prato da frente, esta imperial está quente, já lhe pedi um café à meia hora". e a conta, finalmente.
o cliente comunicativo é aquele que me atrasa sempre o serviço porque só quer conversar. faz perguntas, fala dele, da comida e no fim como ainda lhe apetece conversar mais um bocadinho deixa sempre o número de telemóvel escrito num guardanapo, num pacote de açucar aberto, no recibo do multibanco ou na conta.
o cliente simpático é, obviamente, aquele que mais gosto de atender. é como atender amigos: conversa na medida certa, sorriem sempre que pedem alguma coisa e ainda deixam uma boa gorjeta.

6 comentários:

jccl disse...

Gostava de ser o útlimo tipo de cliente, mas não tenho conseguido... :-(

JCL

Tia Maria disse...

Eu sou definitivamente uma mistura dos dois ultimos clientes, sou simpático e gosto de conversar, por natureza, nao preciso de me esforcar muito.
Aliás, em Portugal, era formador, nao fazia eu outra coisa senao falar. Era interessante ser pago para ser fala-barato. lol
E se há coisa que eu também aprecio do meu lado da mesa, é um empregado de mesa castiço. Por isso, quase todas as semanas, vou a um restaurante holandês onde trabalha um português e onde servem um frango com piri-piri daqueles. E vou sempre ao fim da noite para depois apanhá-lo a jeito para uma boa conversa. Mais nao seja, é o único português que conheço aqui, para alem da irmã da minha esposa.
Cumprimentos da terra das tulipas.

lânternamágica disse...

gosto mesmo de ti...li tudo o que aqui está no teu blogue. Sensacional te digo. ´És excelente e uma pessoa cheia de qualidades, mas só pode ser mesmo. Parabéns! :)

Anónimo disse...

Eu sou do tipo de cliente calado... Falo e respondo aos empregados mas nada mais além.
Sinceramente sou assim em todo o lado, então nas lojas de roupa o sorriso das empregadas ''precisa de ajuda?''... é só um incentivo para sair da loja xD

Andreia disse...

Eu sou o tipo de cliente que não dá trabalho nenhum, porque como também sou empregada de mesa, ei dar o valor a quem está do outro lado.Só não vou tirar eu o meu próprio café quando o meu colega tá no lodo "do outro lado", porque era desconsiderar quem estava ali para o fazer...às vezes apetece mesmo levantar-me da mesa e começar a fazer alguma coisa. Detesto colegas de profissão que não são profissionais: Estão a abeirar-se da mesa e a comentar o jogo com as pessoas da mesa ao lado. Detesto quando falam muito. Gosto de saber os nomes das pessoas e chama-los assim, porque é assim que me sinto melhor ao ser chamada.
É muito fixe fazer este trabalho com pesoas que têm noção que "não estamos ali porque não sabemos fazer mais nada". Atender pessoas de todas as medidas e feitios, todas com gostos diferentes e por vezes até bizarros, não é, de todo, tarefa para qualquer um. E não é apenas atendimento...é dar às pessoas exactamente aquilo que cada uma quer. Requer muita pachorra, muita memória e acima de tudo, muita capacidade de se abstrair da sua vida fora do trabalho e ter uma postura de bem estar.

Anónimo disse...

Também sou empregada de mesas e tal como tu historias não me faltam. fiquei a saber do teu blog e do livro pela antena 3. agora aqui no restaurante es a nossa heroina.
XD