domingo, 21 de fevereiro de 2010

o segredo de um bom descafeínado

existem regras simples que vocês- clientes, podem seguir para se tornarem numa pessoa importante para nós- empregados de mesa. que benefícios é que isso vos vai trazer? muito poucos. mas mais vale ser importante do que ser apenas mais um. no meu caso clientes importantes têm sempre vantagens: quando me pedem uma sobremesa que está no limite dos seus dias aviso-os discretamente que se calhar apetece-lhes outra; reservo-lhes sempre a melhor mesa, mesmo quando já estão todas reservadas e quando me pedem um descafeínado chego mesmo a limpar o manípulo e a tirar os restos de cafeína que estão para lá. e se isto não chega para vos convencer então não sei.
o que nós valorizamos num cliente não é só, ao contrário do que possa pensar, as boas gorjetas que eles nos deixam. boas, repito. mas no que toca a gorjetas é muito fácil convencer-nos. ora então cá vai.
lição número um: de vez em quando deixe uma notinha de 5. pode não deixar gorjeta durante um mês seguido, mas se depois deixar uma notinha já nos tem no papo. 5 euros em moedas não passa. tem de ser a notinha.
lição número dois: quando estivermos a entregar-lhe o seu prato desvie-se. não precisa de agradecer, basta que tire os cotovelos da mesa ou se incline para trás. muito obrigado. tentar enfiar pratos quentes entre cotovelos preguiçosos é muito tetris para mim. e irrita.
lição número três: peça tudo de uma vez. traga-me um café. cá está. agora traga-me a conta. cá está. agora o multibanco. cá está. isto seria bom, mas só se eu ganhasse ao quilómetro. portanto tente lá outra vez. olhe traga-me um café e a conta, vou pagar com multibanco. e sou eu que agradeço.
lição número quatro: se fizer uma reserva apareça a horas. se não tiver feito não refile muito com a mesa que lhe conseguimos arranjar. se entrar num restaurante que está quase vazio não queira sentar-se na única mesa que está suja. se faltarem 10 minutos para fechar, não entre sequer. um cliente a 10 minutos do fim é como estar quase lá e depois não conseguir. e isso irrita, já se sabe.
lição número cinco: pergunte-nos o nome. pode-nos continuar a chamar metendo o dedinho no ar, mas não deixa de ser simpático.
e que tal, não parece difícil, pois não? e vai ver que para a próxima o arroz doce já não vai estar tão duro.