segunda-feira, 6 de setembro de 2010

doutor preciso de ajuda: os meus clientes não fazem o que lhes digo, batem o pé, choram, gritam e atiram-se para o chão.

esta é uma matéria sensível. eu sei disso, porque já me causou ao longo destes 3 anitos muitos dissabores com clientes. para mim, particularmente, é incompreensível que faça as pessoas estrabuchar e amuar tanto. até porque é uma razão muito pequena: tem p'raí 6 centímetros. vem em maços de 20. e cheira mal. ora, esta coisa de não se poder fumar em restaurantes não fui eu que inventei. mas há clientes que acham que fui. ouça lá, isto aqui pode-se fumar? -não senhor. e: a cara. aquela que me fazem sempre que eu lhes digo que não. posso trocar os cogumelos da minha pizza por dois ovos estrelados? não. posso sentar a minha família de 21 nesta mesa de 7? não. posso fumar? não. e eles franzem o sobrolho, entortam a boca e abrem as narinas. esta é a cara. e depois claro, bufam.
e desde que esta lei sem fumo saíu que tenho ouvido todo o tipo de desculpas para fumarem à mesa: está a chover. estou muito cansada para me levantar. tenho medo do escuro. ou eu dou-lhe uma notinha. não, não, não e não. meus amigos isto é uma lei e é para cumprir. fisga-se. para mim não há nada mais chato do que ter que me armar em agente da autoridade e estar a tomar conta de adultos. e alguns são tão insistentes que até me fazem fechar os olhos, cerrar os dentes e inspirar bem fundo. oh menina mas não se pode fumar? mas isto já 'tá vazio não se pode fumar? vá lá, deixe-me lá fumar só um cigarrinho. vá, ninguém se importa. não seja assim.
e o pior ainda são aqueles que chegam de calça verde pálido arregaçada, camisola aos ombros e crocodilo do lado esquerdo com as respectivas esposas que tresandam a chanel 5 e querem martinis com cerejas: temos reserva em nome de dótór francisco de alburqueque e vasconcelos. ao fim de duas horas os doutores já perderam todos a pose e o que eles querem mesmo é fumar um à mesa. e nem que eu diga não com a minha voz séria e profunda eles me ouvem. este é o tipo de pessoas que acha que não tem que receber ordens da empregadita. e acendem. eu vou lá e apagam. eu viro as costas e acendem. eu vou lá e apagam. à terceira digo que chamo a pj, a gnr, a psp e a brigada de trânsito. e eles levantam-se e vão lá para fora de gin tónico na mão. mas ainda acendem o cigarrito antes de sair do restaurante. e guardam o último bafo para quando voltam a entrar. uns verdadeiros filhos da outra é o que vos digo.
às vezes também há aqueles que vão fumar para a casa-de-banho. eu não percebia a lógica disto mas o meu namorado explicou-me que há por aí pessoas que gostam de fumar enquanto fazem o nº2. interessante. também não são raras as vezes que apanho senhoras a sairem de uma casa-de-banho quase em chamas. normalmente são as que deixam à mesa o marido e o bebé. aqui a coisa é mais óbvia: está a amamentar e o marido não alinha em leite com sabor a nicotina para o puto. ai as mulheres, essas matreiras.
mas agora que o verão se está a acabar a coisa só tem tendência para piorar. por isso, este ano, antes que saquem dos cigarros vou já enviar um email ao quintino aires a perguntar como é que devo lidar com clientes destes.
é que de birras de gaiatos percebe ele bem.

12 comentários:

MRPereira disse...

Sou fumador e faz-me confusão um restaurante ENORME sem zona de fumadores. No entanto, há que respeitar... Se não se pode fumar, só tem que se aguentar à bomboca e se quiser MESMO fumar, levanto o fofo da cadeirinha e aí vai ele cigarrar pró fresquinho! E já goza!

Mães a fumar ao pé do bebé é simplesmente horroroso... Numa casa de banho, às escondidas do marido então, acho que ainda é pior! Mas quem sou eu para estar a criticar a vida dos outros!

Kiss kiss

solta disse...

Texto delicioso.

solta disse...

Texto delicioso.

Ritchie disse...

só não percebo é a necessidade tão urgente de ter que se fumar num restaurante... parece que é o fim do mundo. não acho mesmo o local indicado para se fazer e pior, já há uns anos vi o marques mendes, e a mulher, aquando de um almoço após um debate sob o tema do aborto, a comerem enquanto ambos manuseavam os talheres com um cigarro aceso na mão. não entendo... é que não entendo! é uma falta de respeito ao proximo e tu ainda tens de levar com essas cenas... fico doente!

Henrique Vogado disse...

O prazer de quebrar as regras.
Se fosse proibido beber álcool nos restaurantes, os dótores andavam com garrafinhas no bolso e a beber em frente do empregado.

Quando chegar o Inverno como convencer os fumadores a irem para o frio e à chuva? Força!

Anónimo disse...

sou empregado de mesa num hotel. e sou fumador..mas uma coisa vos digo foi das melhores leis que este governo impôs . se eu quero fumar sabendo que faz mal , nao tenho imcomodar mais ninguem ..o ar do restaurante ate fica mais agradavel e tudo ..os empregados de mesa tambem sao gente quer estejam clientes na sala ou nao..nao tenho que levar com o fumo de ninguem que ninguem leva com o meu..BRILHANTE este texto continua no bom caminho ass. SG gigante

Anónimo disse...

Solução para quem insiste em acender um cigarro dentro do restaurante: copo cheio de água pela cabeça abaixo. Apaga o cigarro e arrefece a mente encalorada pelo vinho que foi bebido à refeição. Experimenta.

Anónimo disse...

simplemsmente maravilhososo... quase que por acidente vim parar a este blog, do qual nao consegui sair antes de ter lido todos os posts e comentarios porque achei simplesmente e maravilhoso... sou tb uma empregada de mesa, e desde o primeiro post que eu li que me identifco com determinadas situacoes. Para comecar, vivo no canada, toronto mais precisamente. Estou aqui ha 9 anos e durante 6 nao fiz nada..... Comecei como empregada de mesa num restaurante "fine dining" ha 3 anos (quase como desespero de estar tanto tempo sem faser nada), e de repente apaixono-me pela arte de servir a mesa... e tudo o que descreves, as siuacoes (desculpa mas aqui os teclados nao teem cedilhas, til's, ou pontuacoes tipicamente portuguesas), mas situacoes com clientes esquisitos, clientes exigentes, clientes com mania de que sao os maiores... enfim, nao imaginas o que pode aperecer numa comunidade portuguesa em Toronto (nao queiras imaginar), mas quando o gosto e a paixao pelo trabalho e maior do que qualquer outra coisa, supera-se tudo, nao?
Adoro o que faco,posso mesmo dizer que o meu trabalho fica em segundo lugar na minha lista de prioridades: primeiro os meus filhos (2- 11 e 6 anos) depois o trabalho, e em 3-o meu meu marido. Nao que tudo estivesse previamente defenido, maas foi assim que assim as coisas acabaram por ocupar os espacos vazios que existiam...
Enfim, como este blog e teu nao meu, fico por aqui, com a esperanca de que possas continuar com mais ........

Angelo disse...

Mais um post maravilhoso!!! Esses tios nem à chapada!

Andreia disse...

Tenho a dizer que adorei o blog, a maneira de escrever, as estórias... tudo! Li-o do início ao fim. Só me ri!

Quanto a este último post, eu não sou fumadora, tenho pais fumadores, muitos amigos fumadores e faz-me muita confusão eles gostarem daquela coisa. Mas devem ser como eu com chocolate, digo eu. Só que não sei o quão agradável deve ser para eles (para mim não era) comer com cheiro(e sabor) a fumo de tabaco. Ou então levar com o fumo da mesa ao lado (ah, eu tenho tendência a atrair o fumo para mim, mesmo mudando de sítio). Juro que não entendo o prazer disso. Era a mesma coisa que comer uma lasagna com um Kit Kat ou cheiro a fondue de chocolate... Definitivamente, são para serem comidos separadamente!
Portanto, ainda bem que essa lei saiu, principalmente nos restaurantes. Nos cafés, uma ventilação decente faz milagres e acho que deveriam investir nisso para não perderem a clientela.

Novamente, adorei o blog e espero ler mais coisas hilariantes como as que li :)

شكرًا على حسن انتباهكم disse...

bícios...

Frutinha disse...

Olha que realmente ha com cada doutor.. irra. sao os piores.