segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ai as cusquices que eu sei e não digo são tão giras.

as coisas interessantes que os fornecedores nos contam sobre os ditos restaurantes de luxo de lisboa.
a crise toca a todos meus amigos, é o que vos digo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

exclusivo: catarina furtado comeu massa e bebeu vinho tinto.

eu gostava de atender todos os meus amigos sem eles conseguirem perceber que eu sou eu. não é difícil perceber porquê. a pessoa-cliente demonstra como é como pessoa-humana. se eu tenho amigos que tratam os empregados como eu trato os bichinhos da prata que encontro atrás do meu sofá então eu gostava de saber quem são. nunca mais ia gostar de nada que eles escrevessem no facebook, nem sequer lhes fazia biscoitos pelo natal. estariam fora da minha já muito restrita lista de pessoas a quem eu atendo o telemóvel depois das 11 da noite. isto não quer dizer que toda a gente tenha que gastar todos os seus sorrisos do dia com o rapazito que lhes serve o bacalhau. mas também não o precisam de maltratar só porque ele é apenas o rapazito que lhes serve o bacalhau.
a minha ideia sobre as pessoas é, assim, muitas vezes formada, depois de os atender. como com algumas vedetas da nossa tv. de alguns a ideia melhorou, de outros lixou-se completamente, de outros manteve-se. como a daquele senhor dos ídolos, por exemplo. aquele que inventa piadas rebuscadas que ainda assim não têm piada. já o atendi 3 vezes. é o sr.pepperoni. ele é mesmo assim. sempre sozinho, porque tem mau feitio, de phones nos ouvidos, a ler o jornal e a falar com aquele mesmo tom de voz, alto e imperativo, de quem me está a avaliar o serviço. traga-me uma imperial. traga-me um café. traga-me a conta. uma vez antes de sair do restaurante virou-se para trás, como quem vai agradecer...afinal tinha-se esquecido do jornal.
mas já atendi muitos outros: manequins que pedem caipirinhas light- no açúcar, não na cachaça-, ministros e ministras, alguns nem sei eu bem de quê e velhos e repetidos actores das novelas da tvi. como a dalila carmo, uma das pessoas mais simpáticas que eu já atendi. um bocado acelerada, mas muito simpática. ou o ricardo carriço, tão educadinho.
depois há os outros, que me surpreendem. a primeira vez que atendi o nuno lopes já ía com vontade de rir, à espera que ele fizesse o pedido e no fim fizesse tcharán!, mas afinal não. é dos mais tímidos e caladinhos que já vi. a verdadeira anti-vedeta. é dos poucos que passa na rua e me cumprimenta. e depois o nilton. não houve nem paga o que deves, nem eu amo você, nem sequer piadinhas que o comum dos mortais faz com os empregados de mesa. nada. ficou a ouvir durante 3 horas a sua companhia. calminho, caladinho e quietinho. tão quietinho que só ao fim de uma hora é que me apercebi que ele estava a ser torturado por um ar-condicionado a pingar e nem reclamava.
há também aqueles que entram, enchem a casa porque são reconhecidos e não têm problemas com isso. mas não deixam de ser simpáticos. como o irmão guedes. não sei qual deles era, mas até foi à cozinha dar beijinhos às cozinheiras que se abanaram com guardanapos e lhe disseram adeus durante o almoço todo. quase que me desmaiavam todas ali.
e depois, claro, os alucinados: como a cantora de jazz maluco maria joão. é, provavelmente a pessoa mais estranha que eu já atendi: pede coisas que não estão na ementa, bebe sempre dois sumos de fruta de uma vez antes de comer, demora horas a acabar. e é, no seu conjunto...diferente, vá. enfim, são muitos. e de todos tenho hoje outra opinião. como da catarina furtado, por exemplo. se desde o tempo em que ela se pôs a gritar para o palco eu tinha uma ideia não muito querida dela, hoje tenho outra. é uma cliente simpática, educada e fotogénica, já que aceitou tirar fotos com a malta toda.
os famosos são assim como os meus amigos. eu tenho uma ideia deles, mas será que é a certa? bem, eu sei que às vezes também não sou a melhor amiga que podia ser, sobretudo quando os meus ex-colegas e amigos que são hoje jornalistas paparazzi me ligam para saber o que é que a protagonista da novela das 8 comeu e bebeu. eu isso não digo. é que eu levo a privacidade dos meus clientes muito a sério.
como se pode aliás ver.