quarta-feira, 16 de março de 2011

sunday bloody sunday.

trabalhar ao domingo ao almoço. valerá a pena? o assunto é sensível. discutido há décadas entre os profissionais da restauração. mas afinal porque é que ninguém quer trabalhar ao domingo ao almoço, perguntava-me eu. será da ressaca? será porque é dia de ir à missa? ao fim de pouco tempo percebi a razão. imaginem o que é um restaurante cheio de pessoas exigentes, picuinhas e alérgicas a tudo e mais alguma coisa. agora imaginem que 50% dessas pessoas têm menos de um metro e trinta. não, não são anões. são crianças. as crianças que, segundo ouvi dizer até são a melhor coisita que há no mundo, são aquelas que se metem debaixo da mesa de pessoas que nunca viram antes, que jogam à macaca enquanto eu tento passar com pratos que me escaldam os punhos e, as bonitas crianças, são aquelas que brincam à apanhada dentro de um restaurante de 50m2 apinhado de carrinhos de bebés. e oops lá se foi a cola-cola direitinha à cabeça do senhor. e lá se foi a minha gorjeta. o trabalho ao domingo ao almoço é a triplicar. senão vejamos: tenho que agradar aos clientes que decidiram não ter filhos e reviram os olhos sempre que uma criança dá um gritinho. um gritinho cheio de ar, mas um gritinho. tenho que fazer o favor à mãe de aquecer a sopita que ela trouxe de casa. não é quente, não é morna: é morninha. e tenho que tirar pedidos e servir pratos enquanto outra mãe anda atrás de mim com uma fralda cheirosa a perguntar-me onde é que pode deixar o presente. o resultado: uma dor de cabeça à pala dos gritinhos, o chão cheio de spaghetti bolognese e as mesas a lembrarem pinturas abstractas à base de café e pacotes de açúcar trucidados. que bom contribuir para estes momentos familiares. mas tenho que dar a mão à palmatória àquelas mães prevenidas que levam dvd’s portáteis para meterem as crianças a ver o noddy e o outro que é construtor enquanto elas comem. é fantástico o poder que um ecrã tem sobre uma criança, por mais pequeno que seja.
mas nem tudo é mau nesta história dos almoços de domingo. porque às vezes é tão chato atender adultos rabugentos que só os putos nos fazem rir. lembro-me de um miúdo, cliente habitual, que no início de um desses domingos me pediu mais manteiga. quando cheguei ao pé dele com a dita o pai disse logo então afonso o que é que se diz? o miúdo olhou para mim e disse muito convicto: mais pão.

4 comentários:

Paula disse...

Já tinha saudades!
Por estas e por outras é que a minha filha nunca teve autorização para aborrecer as outras pessoas num restaurante. Estava sentada do princípio ao fim, e se eu soubesse que não iria poder ser assim, não ia a um restaurante!

Igor disse...

O que me ri no final... ... lindo!
Como é que reagiste?... eu tinha-me partido a rir, acho que nao aguentava!!

filha do administrador disse...

as crianças são as melhores coisitas do mundo, quando bem educadas :D e preparadas para a vida em sociedade, claro que têm sempre aquela dose maravilhosa de honestidade e fantasia, que qualquer adulto deveria manter, mas isso não invalida que se comportem como "gente"

v_crazy_girl disse...

Mais pão xD

Gostei dessa xD