sábado, 2 de abril de 2011

i rest my case

isto que aqui vai é só para reforçar a minha teoria: os chefes têm a mania. quando eram pequeninos os chefes deviam ser aqueles miúdos que acabavam as frases com um quem diz é quem é. ou o primeiro a falar é um ovo podre. resumindo: a última palavra tinha de ser sempre a deles. eu já atendi alguns chefes famosos aí na praça. eles não sabem quem eu sou -não sei porquê- mas eu sei bem quem eles são. já os vi a todos em brindes do expresso, no programa do goucha a fazerem ovos rotos e nas capas dos seus livros com a jaleca impecavelmente limpa. meus caros, eles não são assim, aviso-vos já. sempre que atendi o chefe avillez ele trazia consigo um bloco de notas. comia e escrevia, comia e escrevia. podia até estar a escrever a lista de compras que tinha de fazer: cebolas, natas, papel higiénico, foie gras. mas o gesto era intimidatório. nunca acabou os pratos e sempre que os fui levantar mandou recados para a cozinha. o meu chefe, claro, disse-me para o mandar ir àquele sítio. eu não disse nada. sei que a dor de cotovelo pode resultar nestas coisas. ainda assim acredito que ter um chefe com ar de anton ego na sala não deixaria nenhum linguini à vontade. enfim, sou fã do ratatui, o que é que se pode fazer. a terceira vez que o atendi pediu uma pizza. mas com ingredientes à escolha. ou seja, foi ele que a fez. quero bacon, isto, isto e aquilo. e que tal parar de cozinhar um bocadinho e comer uma das que está no menu? é como o outro. o tal que não tem maneiras. tem um nome difícil mas ainda assim conseguiu ficar famoso porque, dizem as revistas, faz menus de degustação low-cost deliciosos. na tasca lá ao pé da minha casa também fazem isso. primeiro caracóis, depois pipis, depois choco frito, depois pica-pau. rematam com uma bifana. não sei porque é que o senhor abílio também ainda não é famoso. mas adiante. o chefe lu..., lju... esperem aí que eu vou ver no google. ljubomir. atendi-o duas vezes. é daqueles que pede as coisas com o molho à parte. ah, pois é, já viram. quem diria. e pede sem azeite e depois pede o azeite. que é como quem diz quem tempera aqui sou eu que eu é que sei fazer isto bem. é assim mesmo chefe. e depois ele e os amigos pedem os cafés. 3 bicas. e ele vai lá para fora falar ao telemóvel. 10 minutos depois volta: olhe que falta aqui um café. epá não falta nada pá! estava à espera era que te sentasses à mesa para te tirar um quentinho. que mania pá. olha que o café frio faz dor de barriga. e tira lá a colher de pau do meu serviço. e a esta hora já estão os chefes lá está a gamela armada em coiso e tal. mas lá está: quem diz é quem é.

4 comentários:

matilde disse...

gente com manias é coisa que por aí não falta. e outros têm restaurantes em fontanelas em que tens de vender o corpinho para pagar uma entrada, e depois os restaurante está sempre cheio de NINGUÉM... Mas pronto manias são manias :)

Andrea Caneparo disse...

hahaha :D
sem tirar nem pôr! (não estou a falar da referida colher de pau)

Tiago Lopes disse...

Parabéns, nao conhecia "a professorinha.blogspot.com" indicou-me,gostei muito de ler particularmente este post, excelente trabalho de escrita...

Maria disse...

Espectáculo!!! Sem mais (maneiras :))
Muito boa análise. Eles é que sabem, certo??? Então comam na casa deles!